quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pelotão de choque na USP: juventude se levanta contra retorno à ditadura

Na semana passada a reitora da USP, Suely Vilela, mandou a tropa de choque reprimir os piquetes dos funcionários da universidade, em greve há mais de 30 dias. A ação ostensiva da Força Tática da Polícia Militar, que sitiou a USP com mais de 150 homens durante toda a semana, foi o estopim para a explosão da revolta estudantil que vinha sendo bloqueada e para a deflagração da greve entre estudantes de todo o estado.

USP de volta à ditadura

Na segunda-feira, 1/6, a Universidade de São Paulo amanheceu sitiada por batalhões da tropa de choque que guardavam a entrada de unidades estratégicas para impedir o piquete dos funcionários em greve. A disposição da Reitoria para levar a repressão até as últimas conseqüências ficou clara: em frente à administração central, junto com a polícia havia um carro do corpo de bombeiros e um do resgate!

Essa ação da polícia na USP para reprimir um movimento grevista não tem nenhum precedente senão durante os anos sombrios da ditadura militar. Segundo o Sintusp (Sindicato dos trabalhadores da USP), a última vez em que a polícia entrou na USP para impedir piquetes dos funcionários foi durante a ditadura, em 1979, com cerca de 15 homens desarmados. Depois de 30 anos, os “democráticos” José Serra e Suely Vilela agem com mais de 100 homens armados!

A ação vergonhosa da Reitoria foi justificada em comunicado oficial pela necessidade de manter o “pleno funcionamento da universidade”. Mas a que ponto chegou a Universidade de São Paulo se ela só pode “funcionar” com um enorme aparato policial repressivo ameaçando fisicamente os seus próprios funcionários e estudantes? Que Reitoria é essa que para continuar “funcionando” precisa se cercar de portas e vidros blindados, câmeras 360º com visão noturna, capangas à paisana e agora, além de tudo isso que já é “normal”, mais 150 militares armados, intimidando a própria comunidade universitária com escudos, cacetetes, bombas de gás, balas de borracha e até armas de fogo?

Em nome do “funcionamento da universidade”, a Reitoria usa a repressão policial para estrangular o direito de manifestação dos funcionários e estudantes, para calar as vozes divergentes, para cercear o livre pensamento e a livre manifestação. Em nome do “funcionamento da universidade”, os espaços estudantis livres estão sendo fechados, as manifestações, festas e atividades culturais estão sendo proibidas, estudantes estão sendo processados e punidos, diretores do sindicato estão sendo demitidos. Em nome do “bom funcionamento da universidade” a Reitoria está destruindo a universidade e promovendo o retorno à ditadura na USP.

Ainda mais vergonhoso é o fato de toda essa ação ser comandada pelo governador do estado José Serra, ex-presidente da UNE e ex-exilado político da ditadura militar. Serra, assim como Lula, governa abertamente contra as liberdades democráticas, contra a juventude e contra a classe trabalhadora. Serra e Lula aprofundam cada vez mais o caráter repressor do Estado para conter a revolta contra a crise política e econômica, e preparam assim um retorno à ditadura.

O fantasma de maio assombra novamente o governo Serra

O resultado imediato da ação da polícia na USP foi o levante dos estudantes, levante que vinha sendo contido há mais de um mês pelas direções pelegas do movimento estudantil e que agora explodiu numa assembléia com mais de mil presentes decidindo a greve imediata por quase unanimidade.

Até os professores, categoria cada vez mais passiva e conivente por estar em grande parte integrada à burocracia, decidiram numa assembléia com 120 presentes aderir à greve.

Durante a semana, em resposta à ação da tropa de choque, as assembléias de curso e de unidade na USP foram decidindo, uma a uma, entrar em greve: História, Geografia, Ciências Sociais, Filosofia, Letras, Escola de Comunicação e Artes, Audiovisual, Artes Cênicas, Artes Plásticas. A elas se soma ainda a Faculdade de Educação, que já estava parada desde a semana passada.

Nas demais universidades estaduais, a ação da PM na USP teve a mesma repercussão: o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp se somou à Educação e parou, e na Unesp também cresce a mobilização, com o campus de Marília inteiro parado e as salas de aula ocupadas.

Atos e paralisações estão sendo programados em todo o estado, e o fantasma de maio volta a assombrar a burocracia universitária e o governo Serra.

Acirramento da crise no Brasil

Como em 2007 com a ocupação da Reitoria da USP, inicia-se um levante estudantil apesar das direções tradicionais do movimento estudantil e mesmo contra essas direções, que tentam bloquear o ascenso. A revolta dos estudantes é, como em 2007, mais um anúncio do acirramento da crise da dominação burguesa no Brasil.

Há um descontentamento generalizado represado na garganta da juventude e da classe trabalhadora brasileiras. Desde 2005 se assistiu à corrupção total do governo vir a público e passar em branco, mostrando a cumplicidade absoluta de todos os partidos burgueses existentes e a passividade total da chamada “esquerda”. Agora a crise econômica avança com demissões, desemprego e rebaixamento de salários. Nas escolas e universidades as condições de ensino são há anos destruídas pelo capital, e recentemente a repressão aos estudantes aumenta e aumenta.

Para conter a revolta, o grande capital e seus aliados corruptos —políticos e burocratas de todo tipo— recorrem cada vez mais a medidas abertamente autoritárias e repressivas como o pelotão de choque.

Como podem responder os trabalhadores e a juventude? Somente com a luta, somente com os piquetes, somente com ocupações, somente com barricadas, somente tomando as ruas!

4 comentários:

Anônimo disse...

Pau nos cara da USP, e se voce fizeram a mesma coisa pau em voces.....VOCES NAO REPRESENTAM A CLASSE ESTUDANTIL BRASILEIRA...BADERNEIROS ...ISSO QUE VCS SAO!!!

BADERNEIROS

Cainã disse...

Eu fico bem assustado com uma reação dessas, com a Força Tarefa da polícia em cima de universitários, funcionários e alguns docentes também, com bombas, cacetes e armas de fogo... não é nenhuma surpresa, mas é algo absurdo ver essa truculência contra quem está apenas munido de mochila, ou mala, ou nem isso. É algo completamente irracional...

Pandita disse...

Gente, em meio a tanta truculência ocorrendo na USP (onde agora estudo), é um misto de tristeza e alegria, por descobrir este blog.
O DACEL faz parte da minha história, e o blog deve ser um meio muito mais eficaz do que o mural que mantínhamos na minha época.
Foi bom poder saber o que vocês tem discutido, apesar de demonstrar que as condições objetivas tem piorado na universidade...
Abraços saudosos
Angelina

alice disse...

só quem tava lá e saiu sangrando sabe o que tá acontecendo. ninguém merece violência, muito menos quem tá tentando fazer valer seus direitos