segunda-feira, 20 de julho de 2009

Porque a UNE não nos representa!

Pessoal, depois de o presidente Lula discursar no 51º Congresso da UNE, na semana passada, a UNE que estava escondida e só dava as caras pra defender o governo do presidente, agora está na mira inclusive da mídia burguesa. Acusações que o movimento estudantil nacional (desvinculado da UNE há anos) vinha fazendo, agora são apresentadas no jornal O Estado de São Paulo.

Segue abaixo o artigo:

Lula e a UNE
Suely Caldas, O Estado de S. Paulo, 19/07/09

Nos últimos dias o presidente Lula declarou seu apoio incondicional e elogiou o presidente do Senado, José Sarney, chamando-o de “pessoa especial”. Na quarta-feira, em Alagoas, abraçou Fernando Collor e agradeceu a ele e ao senador Renan Calheiros o apoio ao seu governo.

Nenhuma manifestação da outrora aguerrida, combativa e irreverente União Nacional dos Estudantes (UNE), que há 17 anos comandou os caras-pintadas pelas ruas do País, protestando contra a corrupção no governo e pedindo o impeachment de Collor. No governo Lula a UNE calou diante do mensalão e de tantos outros atos de corrupção, chegou a defender Calheiros no episódio da pensão paga por uma empreiteira a sua ex-namorada, paralisou diante dos inúmeros escândalos envolvendo Sarney e família e silenciou ante a imagem do efusivo abraço entre Lula e Collor.

Afinal, o que aconteceu com a UNE e os estudantes?

Na quinta-feira a direção da UNE recebeu Lula como principal orador da abertura de seu 51º Congresso Nacional. O presidente lembrou de seus idos de sindicalista radical e disse ter passado o tempo em que “encostar-se no governo significava cooptação”. A UNE não encostou, grudou no governo Lula. Tem recebido generosidades e retribuído com aplausos, adesão e apoio político, mesmo quando Lula perdoa corruptos e diz que assina um cheque em branco para o ex-deputado cassado Roberto Jefferson. Não é cooptação? Vamos aos fatos. Em 2004 o governo repassou R$ 199 mil de verbas federais para a UNE e, a partir de 2005, mais R$ 10 milhões - dos quais R$ 7 milhões entre janeiro de 2008 e fevereiro de 2009. Além disso, a Petrobrás, com R$ 100 mil, e a Caixa Econômica Federal, com R$ 30 mil, patrocinaram a Bienal da Cultura da UNE, em Salvador, que ainda levou R$ 2,5 milhões dos cofres públicos.

“Nos anos de Fernando Henrique tínhamos muitas dificuldades de diálogo”, explicou a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, em entrevista publicada no Estadão em 5 de março, ao comparar a relação da entidade com os dois governos.

Além dos R$ 10 milhões, Lula e as estatais doaram para esse 51º Congresso mais R$ 920 mil, dos quais a Petrobrás - com sua esquisita e sem critérios política de patrocínios - participou com R$ 100 mil. Agradecida, a direção da UNE tratou de retribuir: saiu em defesa da estatal e condenou a investigação, pela CPI, de suspeita de desvios de dinheiro na Petrobrás. Condenar a apuração de fraudes com dinheiro público é algo inédito na história da UNE (como diria Lula, nunca antes neste país) que contribui para afastar cada vez mais os estudantes que deveria representar.

Com a popularidade pessoal em alta, Lula extrapola ao sair por aí vinculando sua imagem ao que há de mais atrasado no País, elogiando as oligarquias que ele tanto combateu e denunciou, abraçando Collor e ignorando o movimento que se espalhou pelo País pedindo seu impeachment, humilhando os senadores do PT ao obrigá-los a defender Sarney e assumirem o papel de coniventes com os escândalos de que o senador é acusado. Para Lula tudo vale para atrair o que há de pior no PMDB e garantir seu projeto de eleger Dilma Rousseff e continuar no poder. Os senadores petistas até pararam de justificar a defesa de Sarney com o argumento da governabilidade. Diante da enxurrada de denúncias indefensáveis o argumento se esvai. Afinal, complacência com o desvio de dinheiro público não pode servir de apoio a nenhuma governabilidade.

Lula arrisca perder popularidade política, mas se acontecer ele recua rapidinho. A UNE é que corre riscos mais graves. Sua imagem, hoje, entre os estudantes é de uma entidade pelega, financiada e dependente do governo Lula, que ignora as carências estudantis e, quando se envolve na luta política do País, escolhe o lado errado, da corrupção, dos oligarcas que exploram o Estado há décadas. No auge da pressão popular para tirar Renan Calheiros da presidência do Senado os universitários do Rio de Janeiro organizaram uma passeata. Não tiveram o apoio e ainda foram reprovados pela UNE, que saiu em defesa de Calheiros.

Sem lideranças respeitadas e reconhecidas, os estudantes tendem a não se interessar e fugir da luta política numa fase da vida em que a contestação é útil para a formação e a inserção do jovem na sociedade no futuro. Mas esse é o jeito Lula de governar. Ele, que tanto combateu o peleguismo no passado, hoje usa o dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares (o mensalão, as emendas), de sindicalistas (as centrais sindicais acabam de ser contempladas) e da UNE.

Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio (sucaldas@terra.com.br)

2 comentários:

Alisson disse...

Já sabemos qual vai ser a posição constante do 'Estadão'

Queimar qualquer movimento social, possivel e imaginável

aguiadasmontanhas999 disse...

Suely estou incondicionalmente a seu favor, além deste caso da UNE, existem uma série de absurdos de corrupção. Temos que nos unir para divulgarmos todas as anomalias do desgoverno lula. Veja alguns exemplos: hoje na amazônia temos mais de 3 milhões de hectares nas mãos de estrangeiros a internacionalização da amazônia é fato até divulgado pelo INCRA. No nordeste a base de alcântara (no Maranhão), o acordo do Brasil e Estados Unidos (para alugar a base) é uma verdadeira calamindade, se você ler o contrato você não acredita. A falta de nacionalismo no Brasil, nunca foi tão grande. O governo calou além da UNE os sindicatos, as manifestações são raras. A quantidade de hospitais em estado deplorável é enorme. Com relação as estradas a aplicação do dinheiro arrecadado pelo CIDE é totalmente questionável. Os impostos embutidos nos produtos são altíssimos. O mascaramento da taxa de desemprego (nunca é divulgada corretamente), mascaramento do índice de crescimento econômico e vários outros indicadores, o mascaramento da fome neste país, chega a mais 20 milhões de miseráveis absolutos (2 haitis). Se falarmos em detalhes as aberrações do governo lula eu consigo encher pelo menos 2000 páginas em um livro. Para finalizar eu nunca vi a UNE ficar tão estática diante de tanta coisa acontecendo. Estudei em uma Universidade Federal e na minha época qualquer assunto de interesse nacional a UNE estava presente e infelizmente hoje está estagnada.