sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Criminalização do Movimento Estudantil também no Maranhão!

Mais um caso de repressão!

Estudantes são agredidos no Terminal da Integração

Policiais utilizaram da força para retirar estudantes do Terminal. Assista ao vídeo. Clique AQUI.

SÃO LUÍS – No início da manhã desta quinta-feira (17), estudantes da Universidade Federal do Maranhão foram agredidos dentro do Terminal da Integração da Praia Grande por policiais. No momento da confusão, os estudantes estavam distribuindo panfletos relembrando a conquista da meia-passagem, que hoje completa 30 anos, e reivindicando melhorias no transporte coletivo.

No entanto, eles foram advertidos pelo diretor do Terminal, que ordenou que a panfletagem terminasse, pois naquele ambiente, não era permitido tal ação. Os jovens questionaram com o diretor o porquê deles não poderem realizar a manifestação dentro do Terminal, uma vez que, na parte interior do local, existem diversos tipos de ambulantes.

Mesmo sem estarem convencidos, os estudantes suspenderam a manifestação e começaram a distribuir panfletos nas filas do Terminal para usuários dos coletivos. Esta ação desagradou, mais uma vez, o diretor do Terminal, que chamou a guarda municipal e a polícia para retirar os estudantes do local.

Segundo os estudantes, os policiais chegaram ao local e utilizaram da força física para retirar os rapazes do Terminal. Os estudantes foram com cacetes e tiveram suas roupas rasgadas.

Aos gritos de “isso é um absurdo, eles são só estudantes”, usuários de transporte coletivo que estavam no Terminal de Integração no momento da ação policial, pediam para os policiais parassem com as agressões. Eles informavam que os rapazes eram apenas estudantes que estavam distribuindo panfletos pacificamente (assista ao vídeo).

Apesar dos gritos dos populares, os policias conduziram os rapazes para o 1º DP onde eles prestaram depoimento. Em seguida, os estudantes se deslocaram para o Instituo Médico Legal para fazerem o exame de corpo e delito.

Os alunos da UFMA que estavam panfletando no Terminal da Integração foram Paulo Gustavo, Wady Fiquene, Anderson Fonseca e Henrique Carneiro, sendo que os dois últimos foram os que sofreram as agressões dos policiais.

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte informou que os estudantes foram retirados do local porque não tinham a autorização necessária para distribuir os panfletos no terminal.

Já a Secretaria de Segurança negou que a ação dos policiais militares tenha sido violenta.

Veja o vídeo em: http://imirante.globo.com/noticias/pagina214790.shtml

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mudanças na Saúde Pública de SP. Ataques ao SUS?

Mudanças na Saúde Pública de SP. Ataques ao SUS?

Algumas nóticias movimentaram os bastidores da sáude pública no estado. A ALESP (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo) aprovou um projeto de lei que permite que todos os hospitais estaduais sejam terceirizados e, apesar de públicos, atendam a pacientes particulares e de planos de saúde, mediante cobrança.
No entanto, o Ministério Público do Estado afirmou que, assim que a norma entrar em vigor, ajuizará ações contra a sua execução. Na visão do Ministério Público, a futura lei fere os princípios de igualdade e universalidade do SUS (Sistema Único de Saúde), pois criará um tratamento diferenciado para os pagantes.
Para que se torne lei, o texto aprovado pelos deputados precisa ser sancionado pelo governador José Serra (PSDB). A aprovação é dada como certa, já que o projeto original foi apresentado pelo governador.
Para ler a reportagem completa, CLIQUE AQUI.


Outra notícia que chegou foi da negociação de autarquização do HU da Unicamp.

Colocamos abaixo um pedaço da carta de manifesto assinada pelo DCE Unicamp, C.A.'s de Enfermagem, Fonoaudilogia e Medicina da Unicamp.
(para ler na íntegra, com moções de apoio já recebidas, CLIQUE AQUI.



Por isso, somos:
· Contra a Autarquização dos HC da Unicamp (desvinculação com a universidade) ;
· Contra as Organizações Sociais e as Fundações Estatais de Direito Privado;
· Pelo fim da dupla porta nos HUs e por 100% de leitos SUS;
· Pela desvinculação dos recursos dos HUs da receita das universidades;
· Pelo fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU);
· Pela regulamentação da Emenda Constitucional 29 (EC29);
· Por aumento do financiamento público o para a saúde pública e para os HUs.


Para mais reportagens sobre o assunto, leia:
http://www.unicamp.br/unicamp/en/divulgacao/2009/08/06/autarquia-em-debate-na-area-da-saude

http://www.stu.org.br/?q=node/318

http://www.redeclipex.com.br/painel/p_exibenoticia.php?idpainel=1690&idnoticia=000000014856

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os Grupos de Discussão(GDs) de quarta estão de volta!

Olá, unespianos!

Estamos retomando os Grupos de Discussão de quarta-feira!
Como proposto no semestre passado, vamos realizar os GDs de forma temática.
Para essa quarta-feira(02.09.09), o tema será: "Financiamento da Universidade Pública - Se é pública então é de graça?"

Discutiremos sobre como se dá o financiamento da Universidade, principalmente a nossa, a Universidade Estadual Paulista - Unesp.

Para a semana seguinte, propomos que os participantes desse primeiro GD escolham a temática que lhes for pertinente, que tenham dúvidas etc.
Contamos com a presença de todos!

O Grupo de Discussão acontece sempre às 17:30, quarta-feira, em frente à biblioteca.
Até lá!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Notícias de Araraquara: Mais um ataque aos estudantes!

Olá, unespianos bauruenses.

Encaminho um e-mail enviado pelo pessoal da Unesp Araraquara sobre o que anda acontecendo por lá, novos ataques aos estudantes. Segue abaixo:

Nós, estudantes da UNESP Araraquara, mais uma vez somos vítimas do autoritarismo da direção do campus

No último dia 17 o RU amanheceu com o seguinte aviso: "Foram suspensas a partir de 17/08/09 as bolsas alimentação autorizadas pela direção. Os bolsistas que sentirem necessidade poderão solicitar o benefício via NAE"
O processo seletivo para todas as bolsas de permanência estudantil é aberto logo que inicia o ano letivo e, teoricamente, deve ser concluído até – no máximo – o mês de abril. A cada ano que passa, entretanto, ele é mais lento.
Nesse ano o processo da bolsa alimentação – que pra muitos estudantes é a única forma de assegurar suas refeições diárias – não havia sido concluído até a volta das férias do meio do ano.
Esse é só mais um exemplo do descaso da direção com os alunos que necessitam da permanência estudantil.

O que é permanência estudantil?

A permanência estudantil é a garantia que os filhos da classe trabalhadora e do povo pobre têm de manutenção de suas necessidades básicas durante a graduação. Todos os que entram na universidade pública passaram por um filtro social chamado vestibular, filtro esse que é a maneira de manter a classe menos abastada fora do espaço universitário. Ainda assim, mesmo depois de se submeterem a tal seleção, continuam a serem privados dos seus direitos mais mínimos, numa rotina de constantes privações.

Alguns dos ataques arbitrários de uma diretoria autoritária contra os estudantes:

• 2006 – votado em Congregação o fim da Moradia Estudantil;
• 2007 – votado em Congregação a invasão da tropa de choque no campus para prisão dos estudantes em ocupação e greve;
• 2008 – corte de metade do número de auxílios alimentação e suspensão de três estudantes por perseguição política;
• 2009:
o Janeiro – descaso com os estudantes da Moradia no período de reforma dos blocos (que inclusive continua), onde os mesmos tiveram que se acomodar sendo cerca de 100 estudantes em duas casas, nas quais caberiam não mais que 64;
o Março – tentativa de expulsão e depois de suspensão de estudantes que perderam o prazo da rematrícula;
o Agosto – suspensão das bolsas alimentação.

Uma universidade de qualidade – e que dá aos estudantes o direito à permanência plena para que possam estudar – só será alcançada com a mobilização estudantil.
Por isso nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, nos colocamos na luta. E convidamos todos os estudantes a se unirem e reivindicarem uma universidade verdadeiramente democrática, pública e aberta aos trabalhadores e seus filhos!

Ane, Aline, Elenir e Laís, estudantes da UNESP Araraquara e
militantes do Pão e Rosas.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quinta no Bosque!


Quinta no Bosque, org. CACOFF

Quinta-feira no Bosque! Atividade organizada pelo CACOFF, Centro Acadêmico de Comunicação Florestan Fernandes, o C.A. responsável pelo curso de Comunicação Social e sua diversas habilitações (Jornal, RTV e RP), para mais informações acesse o blog deles: http://cacoffunesp.blogspot.com/2009/08/blog-post.html

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Volta às aulas, finalmente!

Olá, unespianos.
Vou copiar aqui o post feito pelo Kpta no blog do Capsi sobre a Congregação realizada no campus de Bauru, na qual ocorreram uma série de inaugurações de obras.

Segue o post.

Congregação ou festa?

Terça-feira, dia 4 de agosto.
Seria o segundo dia de aula do semestre, mas não era. O Estado, Reitoria e Diretoria nos recomendaram ficar em casa, é mais seguro, tem uma doença fatal por aí...
Ok, vamos ao ponto... as reuniões (ordinárias) de Congregação tem por regimento enviar a pauta da reunião até 48h antes, mas no dia 30 de julho (quinta-feira) recebo por e-mail a convocação para uma reunião extraordinária da Congregação, que havia sido solicitada por nosso magnifíco reitor... ok, se a reunião seria na terça teria que receber a pauta na sexta, mas não imaginei que isso fosse acontecer, solicitei então por e-mail o recebimento da pauta, mas como resposta da Secretaria tive que ler a que a pauta não tinha pauta, pois a mesma tinha sido solicitado pelo reitor.

Ahh então, o reitor pode convocar um corpo de quase 40 colegiados sem alegar motivo?

A congregação da FC tem uma lista de e-mails internos, enviei, então, um e-mail solicitando os motivos e pauta da reunião, deixando claro o fato de ser conveniente convocar uma reunião sem pauta em um período que a toda a burocracia havia mandado os alunos pra casa e que somos desconfiados com essa categoria (por motivos óbvios, tipo 20 anos ouvindo que o R.U. e Moradia vão sair...) e gostaríamos de ser esclarecidos do motivo da reunião, encaminhei e pedi que, também a direção, enviassem o questionamento para o Reitor e seu gabinete...

As respostas foram exatamente aquilo que pensam, vazias e tirando o corpo fora...

Pois bem, vamos à reunião.

Uma bela manhã ensolarada de terça, e o cheiro de naftalina no ar, afinal, nunca tinha visto tantos colegiados de terno, é... Era dia de festa, e de reitor, tem que sair bonito na foto...
A reunião estava marcada pras 9h e as inaugurações para as 10h30, então a reunião teria que ser ágil, e foi, principalmente pq o diretor e o reitor apareceram na frente da sala 1 às 9h30, para começar exatamente às 9 horas e 35 minutos.

II Reunião Extraordinária de 2009 da Douta Congregação da Faculdade de Ciências. Com esse título pomposo o diretor deu início a reunião, agradeceu a presença de todos, do reitor e passou-lhe a palavra.

Bom, sua palavra durou uns 40 minutos, tempo suficiente para não permitir muita discussão depois. Somente o Milton, representante da Andes conseguiu fazer umas provocações rapidamente respondidas pelo reitor que passou a palavra novamente para o Henrique encerrar a reunião. Nosso diretor disse que era muito ruim não ter mais chance para discussão, mas o tempo não era mais hábil e que fariam um intervalo de 15 minutos para iniciar as cerimônias...

Quanto ao cerimonial, é tudo aquilo que você pode esperar, Blablablás e Obrigados. Justos, mas cadê nossas obras? Ah é, não temos obras.
Para encerrar a cerimônia, o Prof Henrique entregou uma placa agradecendo os esforços da reitoria, a placa era endereçada ao Prof Macari, reitor da gestão anterior, cujo vice é o atual, Hermann. Ele recebeu a placa e declarações quase românticas "Hermann a primeira vez que te vi, foi lá na praça de esportes... não tinha nada lá, você era da Aplo e disse que aquilo não podia ficar assim... é sempre tive uma boa imagem de você"

Então ao fim do cerimonial teve início uma procissão que inagurou diversos prédios, laboratórios, departamentos e etc, onde os responsáveis junto com o diretores e reitor sorriam para fotos...
Aqui se faz necessário parabenizar a administração. As construções são todas de alto nível e estão muito boas, espero algum dia ver isso na moradia e no r.u.

Situações cômicas aqui, gafes aqui, mas nada demais. Os alunos do m.e. ficavam cutucando o reitor perguntando da moradia e r.u. que rapidamente respondia que não conversava sobre isso, pois já está tudo certo!

é, foi um longo dia, das 9h30 até 14h30... no período da tarde, o reitor se reuniu com coordenadores de curso para ouvir as demandas da unidade, tal reunião foi até umas 21h.

Bom, agora relatarei a fala do reitor durante a congregação. Farei por tópicos, de acordo com minhas anotações... vamos lá:

* Iniciou se "desculpando" pela falta de avisar a pauta, dizendo que firmou o compromisso de passar em todos os campi no primeiro semestre para ouvir os problemas e necessidades, por conta do calendário grevista e reuniões Cruesp e F6 atrasou um pouco e retornou a agenda;
* Tais encontros são para análise do que já aconteceu e repensar a continuidade da gestão;
* Reafirma o caráter de racionalismo empresarial para a universidade. mostrando que o mais importante é o equilibrio orçamentario financeiro. Orçamentário=Recurso Legal, lei que libera $, Financeiro=Tesouro, ter $. Não adianta ter $ sem lei que libere e não adianta a lei liberar e nao ter $ pra gastar. (por lei leia-se LDO-Lei de Diretrizes Orçamentarias votada todo fim de ano na Alesp-Assembleia Legislativa do Estado de Sao Paulo).
* Afirmou que autonomia universitária é ter gestão financeira, que a unesp atualmente tem reserva. Tanto que teve que usá-la em Jan, Mar e Abr pela crise, pois foi gasto mais que arrecadado (icms), tinha espaço pela LDO pra gastar, mas não tinha $, então usou reserva.
* Estado pediu pra 3 pública fazer nova proposta orçamentária de acordo com o "arrocho crise"
* Afirmou que apesar de possíveis cortes, não freará a contratação de docentes em RDIDP que é sua prioridade. unesp atualmente tem quase 1600 substitutos, quase 1 terço do quadro. e quer acabar com isso, esse ano 2009 serão ao total 400 contratações.
* pela sua fala ficou clara que a contratação passa pelo crivo do governador, algo mais ou menos assim. Departamento->CEPE->Reitoria->Secretaria de Ensino Superior->Diversas secretarias do estado (fazenda, educacao, blablabla)->Procuradoria Geral do Estado convence governador da necessidade, dai Governador aprova ou não. Aprovando vai para a ALESP que tem que por o assunto na ordem do dia e votar o "Cargos, Funções e Quadros da Unesp" em tempo de entrar no orçamento da LDO da Educação. Pq se não faz isso e abre edital, o mesmo pode ser impugnado. Ufa...
* 2009 - 77% do orçamento em folha de pagamento
* 2010 - previsão de 85% do orçamento em folha
* diz ter em reserva 5 folhas.
* para 2010 novos 150 professores titulares, atualmente a unesp tem 272. acha que tem que ter em torno de 15% de titulares, o que seria uns 400.
* Discussão sobre plano de carreira docente, diz que nao vai discutir dos servidores pq já está sendo feita no cepe.
* diz que o efetivo da unesp está se aposentando e que em 10 anos será todo novo, com quase 1.000 contratacoes (trocando 1 terço de todos docentes)
* no fim da reuniao entregou 723 mil reais para construcao do Casca IV.

Bom, deu pra perceber que sua administração é burocratica, tecnocrata e de racionalidade empresarial, nao discute, conversa. Simplesmente apresenta. nao cita alunos e servidores ao longo da fala.

Então o Prof Milton é o unico a conseguir perguntar e fala sobre 3 topicos: plano de carreira, pedindo q seja aberta a discussao e nao em colegiados, contratacoes e orcamento.
Herman responde, mas eram assuntos muito tecnicos que nao tenho condições de relatar aqui.

Bom acho que é isso, abraço pessoal e até a volta!

sábado, 15 de agosto de 2009

Congregação ou festa?

Para mais detalhes sobre a tal Congregação, leiam o post abaixo!
http://capsibauru.blogspot.com/2009/08/congregacao-ou-festa.html

Aproveitem o embalo e assinem ou guardem em seus favoritos! é o novo Blog do CAPSI!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Enquanto isso, quando você fica em casa por conta da gripe suína, na Unesp Bauru... inauguração de prédios!

Olá, unespianos.
Como todos ainda estamos em férias, por conta do adiamento do reinicio das aulas dada a "gripe suína", alguns acontecimentos se dão em Bauru.
Amanhã, 04/08, o Magnífico reitor Herman estará no campus.
Foi convocada uma Congregação extraordinária para a data de amanhã. Os membros discentes da Congregação da FC estranharam tal reunião, tendo em vista que está sendo realizada durante as "férias prolongadas".
Pedimos então para que disponibilizassem a pauta da reunião, e recebemos como resposta que não há pauta, a Congregação foi simplesmente convocada pelo Reitor.

Com alguns esclarecimentos não tão claros assim, ficamos sabendo que haverá Congregação na parte da manhã, a partir das 9hs e que após as solenidades (leia-se: um bando de gente rasgando seda e puxando saco) haverá a inauguração de prédios pelo campus.

Muito oportuna a data escolhida pelos nossos magníficos reitor e diretor do campus. Não há alunos! Ou seja, qualquer manifestação é inviável.
Ainda mais quando nos deixam em casa para que não permaneçamos em aglomerações, chamam uma reunião para fazer plataforma política. A burocracia acadêmica está mais uma vez de parabéns!

Chamamos os poucos alunos que se encontram em bauru para que apareçam amanhã(04/08) na reunião, na sala 1, a partir das 9hs.
Vale lembrar, que o RU prometido pelo Herman em reunião com os alunos no primeiro semestre, tem até meados de outubro para ser concluido seu projeto de construção. Se isso não ocorrer, o reitor não incluirá no orçamento a obra para o ano de 2010. E ficaremos mais uma vez a "ver navios".

Pela permanência estudantil!
Contra a política do "pires na mão"!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Porque a UNE não nos representa!

Pessoal, depois de o presidente Lula discursar no 51º Congresso da UNE, na semana passada, a UNE que estava escondida e só dava as caras pra defender o governo do presidente, agora está na mira inclusive da mídia burguesa. Acusações que o movimento estudantil nacional (desvinculado da UNE há anos) vinha fazendo, agora são apresentadas no jornal O Estado de São Paulo.

Segue abaixo o artigo:

Lula e a UNE
Suely Caldas, O Estado de S. Paulo, 19/07/09

Nos últimos dias o presidente Lula declarou seu apoio incondicional e elogiou o presidente do Senado, José Sarney, chamando-o de “pessoa especial”. Na quarta-feira, em Alagoas, abraçou Fernando Collor e agradeceu a ele e ao senador Renan Calheiros o apoio ao seu governo.

Nenhuma manifestação da outrora aguerrida, combativa e irreverente União Nacional dos Estudantes (UNE), que há 17 anos comandou os caras-pintadas pelas ruas do País, protestando contra a corrupção no governo e pedindo o impeachment de Collor. No governo Lula a UNE calou diante do mensalão e de tantos outros atos de corrupção, chegou a defender Calheiros no episódio da pensão paga por uma empreiteira a sua ex-namorada, paralisou diante dos inúmeros escândalos envolvendo Sarney e família e silenciou ante a imagem do efusivo abraço entre Lula e Collor.

Afinal, o que aconteceu com a UNE e os estudantes?

Na quinta-feira a direção da UNE recebeu Lula como principal orador da abertura de seu 51º Congresso Nacional. O presidente lembrou de seus idos de sindicalista radical e disse ter passado o tempo em que “encostar-se no governo significava cooptação”. A UNE não encostou, grudou no governo Lula. Tem recebido generosidades e retribuído com aplausos, adesão e apoio político, mesmo quando Lula perdoa corruptos e diz que assina um cheque em branco para o ex-deputado cassado Roberto Jefferson. Não é cooptação? Vamos aos fatos. Em 2004 o governo repassou R$ 199 mil de verbas federais para a UNE e, a partir de 2005, mais R$ 10 milhões - dos quais R$ 7 milhões entre janeiro de 2008 e fevereiro de 2009. Além disso, a Petrobrás, com R$ 100 mil, e a Caixa Econômica Federal, com R$ 30 mil, patrocinaram a Bienal da Cultura da UNE, em Salvador, que ainda levou R$ 2,5 milhões dos cofres públicos.

“Nos anos de Fernando Henrique tínhamos muitas dificuldades de diálogo”, explicou a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, em entrevista publicada no Estadão em 5 de março, ao comparar a relação da entidade com os dois governos.

Além dos R$ 10 milhões, Lula e as estatais doaram para esse 51º Congresso mais R$ 920 mil, dos quais a Petrobrás - com sua esquisita e sem critérios política de patrocínios - participou com R$ 100 mil. Agradecida, a direção da UNE tratou de retribuir: saiu em defesa da estatal e condenou a investigação, pela CPI, de suspeita de desvios de dinheiro na Petrobrás. Condenar a apuração de fraudes com dinheiro público é algo inédito na história da UNE (como diria Lula, nunca antes neste país) que contribui para afastar cada vez mais os estudantes que deveria representar.

Com a popularidade pessoal em alta, Lula extrapola ao sair por aí vinculando sua imagem ao que há de mais atrasado no País, elogiando as oligarquias que ele tanto combateu e denunciou, abraçando Collor e ignorando o movimento que se espalhou pelo País pedindo seu impeachment, humilhando os senadores do PT ao obrigá-los a defender Sarney e assumirem o papel de coniventes com os escândalos de que o senador é acusado. Para Lula tudo vale para atrair o que há de pior no PMDB e garantir seu projeto de eleger Dilma Rousseff e continuar no poder. Os senadores petistas até pararam de justificar a defesa de Sarney com o argumento da governabilidade. Diante da enxurrada de denúncias indefensáveis o argumento se esvai. Afinal, complacência com o desvio de dinheiro público não pode servir de apoio a nenhuma governabilidade.

Lula arrisca perder popularidade política, mas se acontecer ele recua rapidinho. A UNE é que corre riscos mais graves. Sua imagem, hoje, entre os estudantes é de uma entidade pelega, financiada e dependente do governo Lula, que ignora as carências estudantis e, quando se envolve na luta política do País, escolhe o lado errado, da corrupção, dos oligarcas que exploram o Estado há décadas. No auge da pressão popular para tirar Renan Calheiros da presidência do Senado os universitários do Rio de Janeiro organizaram uma passeata. Não tiveram o apoio e ainda foram reprovados pela UNE, que saiu em defesa de Calheiros.

Sem lideranças respeitadas e reconhecidas, os estudantes tendem a não se interessar e fugir da luta política numa fase da vida em que a contestação é útil para a formação e a inserção do jovem na sociedade no futuro. Mas esse é o jeito Lula de governar. Ele, que tanto combateu o peleguismo no passado, hoje usa o dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares (o mensalão, as emendas), de sindicalistas (as centrais sindicais acabam de ser contempladas) e da UNE.

Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio (sucaldas@terra.com.br)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Formação

Formação

Não ignoro que a principal incumbência assinada ao ensino em geral, e
em especial ao universitário, é a formação. A universidade prepara o
aluno para a vida, transmite-lhe os saberes adequados ao exercício
cabal de uma profissão escolhida no conjunto de necessidades
manifestada pela sociedade, escolha essa que se alguma vez foi guiada
pelos imperativos da vocação, é com mais frequência resultante dos
progressos científicos e tecnológicos, e também de interessadas
demandas empresariais. Em qualquer caso, a universidade terá sempre
motivos para pensar que cumpriu o seu papel ao entregar à sociedade
jovens preparados para receberem e integrarem no seu acervo de
conhecimentos as lições que ainda lhe faltam, isto é, as da
experiência, madre de todas as coisas humanas. Ora, se a universidade,
como era seu dever, formou, e se a chamada formação contínua fará o
resto, a pergunta é inevitável: ?Onde está o problema?? O problema
está em que me limitei a falar da formação necessária ao desempenho de
uma profissão, deixando de lado outra formação, a do indivíduo, da
pessoa, do cidadão, essa trindade terrestre, três em um corpo só. É
tempo de tocar o delicado assunto. Qualquer acção formativa pressupõe,
naturalmente, um objecto e um objectivo. O objecto é a pessoa a quem
se pretende formar, o objectivo está na natureza e na finalidade da
formação. Uma formação literária, por exemplo, não apresentará mais
dúvidas que as que resultarem dos métodos de ensino e da maior ou
menor capacidade de recepção do educando. A questão, porém, mudará
radicalmente de figura sempre que se trate de formar pessoas, sempre
que se pretenda incutir no que designei por ?objecto?, não apenas as
matérias disciplinares que constituem o curso, mas um complexo de
valores éticos e relacionais teóricos e práticos indispensáveis à
actividade profissional. No entanto, formar pessoas não é, por si só,
um aval tranquilizador. Uma educação que propugnasse ideias de
superioridade racial ou biológica estaria a perverter a própria noção
de valor, pondo o negativo no lugar do positivo, substituindo os
ideais solidários do respeito humano pela intolerância e pela
xenofobia. Não faltam exemplos na história antiga e recente da
humanidade.
Aonde pretendo chegar com este arrazoado? À universidade. E também à
democracia. À universidade porque ela deverá ser tanto uma instituição
dispensadora de conhecimentos como o lugar por excelência de formação
do cidadão, da pessoa educada nos valores da solidariedade humana e do
respeito pela paz, educada para a liberdade e para a crítica, para o
debate responsável das ideias. Argumentar-se-á que uma parte
importante dessa tarefa pertence à família como célula básica da
sociedade, porém, como sabemos, a instituição familiar atravessa uma
crise de identidade que a tornou impotente perante as transformações
de todo o tipo que caracterizam a nossa época. A família, salvo
excepções, tende a adormecer a consciência, ao passo que a
universidade, sendo lugar de pluralidades e encontros, reúne todas as
condições para suscitar uma aprendizagem prática e efectiva dos mais
amplos valores democráticos, principiando pelo que me parece
fundamental: o questionamento da própria democracia. Há que procurar o
modo de reinventá-la, de arrancá-la ao imobilismo da rotina e da
descrença, bem ajudadas, uma e outra, pelos poderes económico e
político a quem convém manter a decorativa fachada do edifício
democrático, mas que nos têm impedido de verificar se por trás dela
algo subsiste ainda. Em minha opinião, o que resta é, quase sempre,
usado muito mais para armar de eficácia as mentiras que para defender
as verdades. O que chamamos democracia começa a assemelhar-se
tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o
cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado
tarde. E que a universidade nos ajude. Quererá ela? Poderá ela?

José Saramago